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BREXIT: o que vai acontecer agora que o partido conservador perdeu poder nas eleições?

por Juneia Mallas, diretora da RBG
 

Theresa May fez uma aposta: de que iria aumentar a maioria conservadora no Parlamento. Perdeu. Perdeu feio.

O Reino Unido acorda em um novo momento político onde tudo é possível – de soft Brexit (como se define um acordo onde o Reino Unido manteria as principais ligações financeiras e de comércio com a Comunidade Europeia) a um cancelamento do Brexit.

Escute o podcast:

Entenda o que aconteceu:

A Primeira Ministra, Theresa May – do partido conservador – convocou eleições com o objetivo de aumentar mais ainda a maioria que o seu partido detinha no Parlamento. May perdeu a maioria que detinha e agora temos um “hang parlamento” (onde nenhum partido tem a maioria absoluta).

Saiba mais:
Um Parlamento sem maioria ajuda ou prejudica os direitos dos europeus no Reino Unido?

Existem 650 membros no parlamento e uma maioria absoluta teria de ter pelo menos 326 votos. O partido conservador elegeu 315 parlamentares. 

O partido dos trabalhadores (Labour), com uma campanha progressista que colocou na agenda reformas sociais, com mais verba para educação e saúde e menos benefícios para as empresas grandes, ganhou o apoio da juventude e também a volta de membros do partido que havia se afastado, desiludidos pelas políticas de Tony Blair e Ed Miliband.

O que vai acontecer com May?  

A Primeira Ministra não deve sobreviver no seu posto atual, segundo a maioria dos analistas. Sem maioria absoluta, teria de ter apoio de outros partidos para governar. Mas as políticas de austeridade, apresentadas como metas pelos conservadores durante a campanha, desagradaram muitos dos eleitores conservadores.

May não conseguiria os votos necessários no Parlamento para passar todas as medidas de austeridade que prometeu durante a campanha: de cortar fundos de educação, limitar o quanto as pessoas podem reter de seus economias, caso vivam muitos anos e precisem de assistência social, ou limitar a entrada de imigrantes.

O que vai acontecer com o Reino Unido?

May tentou cunhar a imagem de uma pessoa forte, preparada para brigar contra a Comunidade Europeia e recusar qualquer negociação que não atendesse aos interesses do Reino Unido. Antes mesmo de iniciar qualquer rodada de negociação, May se colocou em uma posição antagonista e, segundo especialistas, pouco positiva e realista.

Os maiores partidos não apoiam esta posição dos conservadores e a saída de May ou apenas seu enfraquecimento pode permitir mudanças que muitos esperam: sejam uma versão moderada de Brexit, na pior das hipóteses, ou – na esperança de 48% dos britânicos, um cancelamento do Brexit.

A diferença de votos no referendum para sair da Comunidade Europeia foi de 4%: 48% votaram para ficar e 52% para sair.

Longe de uma maioria. O Reino Unido nunca esteve tão desunido. 

 

Sobre a colunista:

Diretora-fundadora da Rede RBG, ​Juneia Mallas é jornalista e produtora de televisão independente com mais de 35 anos de experiência. Mallas tem um mestrado em Artes da New School for Social Research de Nova York.

Como jornalista se especializou em meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Foi uma das primeiras jornalistas a documentar a destruição da Amazônia no início da década de 80. Trabalhou como produtora de documentários e notícias para a BBC, Canal 4, CBC, PBS, RAI 2 entre outras. Em 2014 lançou o livro “Ouro, Pó e Bala – Amazônia Ilegal”. Juneia nasceu em São Paulo e reside em Londres ha mais de 30 anos.

 

 

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